Esta história ocorreu no dia 3 de Abril de 1982, em plena Assembleia da República. Discutia-se, então, a liberalização da interrupção voluntária da gravidez. O deputado do CDS, João Morgado, no seu conservadorismo cinzentão, afirmava para os seus colegas do hemicíclo que "...o acto sexual é para ter filhos!...".
A resposta de Natália Correia, então deputada, publicada no Diário de Lisboa dois dias depois, fez as delícias de todas as bancadas parlamentares, a do CDS incluida. A coisa correu de tal maneira que os trabalhos parlamentares tiveram de ser interrompidos. Lembrar-se-ão disso... mas, possivelmente, já perderam o conteúdo da peça de retórica da poetisa. O poema-resposta ditava o seguinte:
"Já que o coito - diz o Morgado,
tem como fim cristalino,
Preciso e imaculado,
Fazer menina ou menino.
E cada vez que o varão,
Sexual petisco manduca,
Temos na procriação,
Prova de que houve truca-truca.
Sendo pai de um só rebento,
Lógica é a conclusão,
De que o viril instrumento,
Só usou - parca ração! -
Uma vez. E se a função,
Faz o orgão - diz o ditado -
Consumada essa excepção,
Ficou capado o Morgado!"
02/02/2009
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Se me lembro! Foi a maior gargalhada do século.
ResponderEliminarUm abraço da conterrânea
Júlia Ribeiro
Embora a Natália Correia me mexesse com os nervos (nutria por essa senhora uma antipatia visceral), temos de concordar que o Morgado estava mesmo pedir uma resposta deste calibre.
ResponderEliminarAquele Abraço
Luis Castro
A Natália COrreia foi sempre uma mulher Provocadora, Intensa, mística, até, para o seu tempo. A sua existência não se realizou na maternidade, mas passou por vários casamentos, vários amores, chegando a colocar-se a hipótese da sua bisexualidade; debatia-se em duelos ferozes na assembleia, era altiva, agressiva, com um estilo inconfundível, porém na escrita e em certos textos espraia-se num sentimentalismo sem fim. Já viste que gosto de Natália Correia...
ResponderEliminarDeixo-te uma definição belissima de Teixeira de Pascoaes, que retratam mulheres deste e doutros calibres..
"A mulher é um bailado de nuances, como a água. A mulher é toda ela uma lágrima em tremulina de variáveis reflexos. A superfície do seu corpo espelha o luar e o sol e em certas noites é um braseiro de estrelas"
Beijo amigo
Paula Salema