18/02/2009

Vénus


À noite, o planeta Vénus é um dos astros mais brilhantes do nosso céu. Durante muito tempo pensou-se que Vénus era o planeta gémeo da Terra, mas hoje sabemos que as semelhanças apenas existem no tamanho e na quantidade de massa de ambos.

Vénus é o segundo planeta do sistema solar na ordem das distâncias ao Sol. A duração do ano de Vénus é menor do que a duração do seu dia. Enquanto um ano dura 224 dias terrestres (uma rotação completa à volta do Sol), um dia (uma rotação completa sobre o seu eixo) dura 243 dias terrestres realizando-se no sentido contrário ao dos outros planetas, ou seja, com o Sol a nascer a oeste.

No seu movimento aparente, Vénus oscila em torno do do Sol, para um e outro lado, nunca ultrapassando uma distância ângular superior a 48º. Por ser visível antes do nascer do Sol é vulgarmente apelidado de "Estrela da Manhã", "Estrela Dalva" ou "Estrela Pastor".

A atmosfera de Vénus é 92 vezes mais densa que a da Terra. Por essa razão, a pressão na sua superfície é equivalente a mergulhar a cerca de 1000 metros de profundidade no mar. A sua atmosfera, maioritariamente composta por dióxido de carbono, algumas moléculas de azoto, enxofre e pequenas quantidades de água, concentra os raios solares e cria um efeito estufa que origina temperaturas de 470ºC na sua superfície. A existência de alguma água na atmosfera permite a formação de ácidos, como o ácido clorídrico e o ácido sulfúrico, que formam núvens corrosivas em altura.

Às 15h00 de amanhã, Vénus é visível em todo o hemisfério norte da Terra no seu máximo brilho. Essa possibilidade estende-se até ao próximo dia 23. Devido ao seu afastamento do Sol, é possível ser visto com clareza a olho nú quatro horas antes do nascer do Sol ou quatro horas depois do seu ocaso, ou ainda, a qualquer hora do dia desde que o céu se apresente sem núvens. Basta conhecer a sua localização na hora da observação e certificar que não esteja visualmente muito próximo do Sol.


Artur Mesquita

17/02/2009

Carlos Paredes


"...As pessoas gostam de me ouvir tocar guitarra, a coisa agrada-lhes e elas aderem. Não há mais nada!..."

"...A música que eu faço é um produto das circunstâncias imediatas do tempo em que vivo, e passará a ser encarada de outra forma quando essas circunstâncias desaparecerem. É uma coisa que, se perdurar graças aos discos, ficará apenas com o valor de documento, como acontece com toda a pequena música, desde os Beatles ao Manuel Freire. E já ficarei muito orgulhoso se, daqui a muito anos, puder ser entendido como um compositor que se integrava bem nos acontecimentos desta época!..."

"... Já me tem sucedido fazer as pessoas chorar enquanto eu toco... E eu não compreendia isto, mas depois percebi que é a sonoridade da guitarra, mais do que a música que se toca ou como se toca, que emociona as pessoas..."

Excertos de entrevistas com Carlos Paredes

Guitarra (Carlos Paredes)


A palavra por dentro da guitarra
A guitarra por dentro da palavra
Ou talvez esta mão que se desgarra
(com garra com garra)
Esta mão que nos busca e nos agarra
E nos rasga e nos lavra
Com seu fio de mágoa e cimitarra.

Asa e navalha. E campo de Batalha.
E nau charrua e praça e rua.
(E também lua e também lua)
Pode ser fogo pode ser vento
(ou só lamento ou só lamento).

Esta mão de meseta
Voltada para o mar
Esta garra por dentro da tristeza
Ei-la a voar ei-la a subir
Ei-la a voltar de Alcácer Quibir.

Ó mão cigarra
Mão cigana
Guitarra guitarra
Lusitana.


Manuel Alegre

Movimento perpétuo


"Enorme, desajeitado, com o eterno sorriso tímido de quem pede desculpa por existir. Sentou-se, aconchegou a guitarra a si, agarrou-se à guitarra e a guitarra a ele,, passaram a ser um corpo único, um só tronco de música e de raiva, de sonho e de melodia, de angústia e de esperança, exprimindo por sons tanta coisa que nós não tínhamos palavras para dizer!"

Carlos Paredes foi assim recordado por José Carlos Vasconcelos após ter assistido no Teatro Avenida a uma inesquecível festa da Tomada da Bastilha, na Coimbra dos anos 60.

Tentaram ensinar-lhe piano e violino, mas "por preguiça", "não se ajeitou aos instrumentos.". "A minha mãe, coitadinha, arranjou-me duas professoras. Eram senhoras muito cultas, a quem devo a cultura musical que tenho. Passávamos horas a conversar e uma delas murmurava: "Não sei o que hei-de dizer aos seus pais!". Mas aprendi muito com elas.", costumava contar.

Seu pai, Artur Paredes, resgatou-o das aulas de piano e violino para a guitarra. Artur Paredes foi um guitarrista genial e de grande virtuosismo na composição e na interpretação dos seus temas. Ele deu à guitarra de Coimbra novas sonoridades através da sua persistente pesquisa da perfeição. Como grande perfeccionista que era, trabalhava as suas composições até à exaustão e só as apresentava publicamente quando decidia estarem rigorosamente perfeitas. Temas como Desfolhada, Variações em Ré Menor Nº 2, Variações em Mi Maior, Passatempo, Balada do Mondego, entre outras, são consideradas o que de melhor se compôs, em termos de qualidade musical, na guitarra portuguesa. Artur Paredes seguiu a veia musical que a guitarra tinha na sua família, depois de seu avô, Manuel Paredes, e de seu pai, Gonçalo Paredes. Foi a acompanhá-lo que Carlos começou a dar os primeiros acordes.

Carlos Paredes era uma pessoa que dava particular atenção a tudo o que o rodeava, que cultivava as relações humanas retirando daí toda a experiência que transportava para a guitarra. Comunicava com a guitarra e pela guitarra, como quem conta uma história, como quem lê um livro. Fazer música era um acto de prazer, um acto de amor. "Para se fazer música com prazer tem muita importância a amizade entre as pessoas. Não se pode fazer música friamente e com cálculo, profissionalmente, no mau sentido, a receber X à hora. Não pode ser assim!"

O seu virtuosismo, a sua criatividade e a sua genialidade abriram horizontes à guitarra portuguesa. A técnica que desenvolveu na composição e na interpretação permitiu-lhe atingir a originalidade, a emotividade e a genialidade cujo acesso a guitarra não ousava alcançar. Da sua guitarra não saem simples notas musicais mas histórias que nos transportam para um universo maravilhoso de fantasia.

O Carlos era um contador de histórias. Agarrou-se à vida, às pessoas e aos lugares para passar sobre eles um manto de pureza com que fazia a sua versão dos seus momentos de reflexão.

A 16 de Fevereiro de 1925, nascia em Coimbra um génio criador que mudaria o universo da guitarra portuguesa e da "poesia" em Portugal. A grandeza da sua modéstia e a da sua humildade só são inversamente comparáveis ao seu enorme talento. Neste 83º aniversário do seu nascimento, estou certo que não quereria muitas comemorações. Apenas lhe devemos o favor de o ouvir e de tocar as suas composições! Apenas lhe devemos o favor de não o esquecermos!

"Um génio, eu? Não, sou só um homem igual aos outros. Geniais são as pessoas que respeitamos muito!"

Perpetuamente em movimento...

Artur Mesquita

02/02/2009

O humor na política!

Esta história ocorreu no dia 3 de Abril de 1982, em plena Assembleia da República. Discutia-se, então, a liberalização da interrupção voluntária da gravidez. O deputado do CDS, João Morgado, no seu conservadorismo cinzentão, afirmava para os seus colegas do hemicíclo que "...o acto sexual é para ter filhos!...".

A resposta de Natália Correia, então deputada, publicada no Diário de Lisboa dois dias depois, fez as delícias de todas as bancadas parlamentares, a do CDS incluida. A coisa correu de tal maneira que os trabalhos parlamentares tiveram de ser interrompidos. Lembrar-se-ão disso... mas, possivelmente, já perderam o conteúdo da peça de retórica da poetisa. O poema-resposta ditava o seguinte:

"Já que o coito - diz o Morgado,
tem como fim cristalino,
Preciso e imaculado,
Fazer menina ou menino.

E cada vez que o varão,
Sexual petisco manduca,
Temos na procriação,
Prova de que houve truca-truca.

Sendo pai de um só rebento,
Lógica é a conclusão,
De que o viril instrumento,
Só usou - parca ração! -

Uma vez. E se a função,
Faz o orgão - diz o ditado -
Consumada essa excepção,
Ficou capado o Morgado!"

O nevoeiro


O Sol aparece finalmente e, com ele, a alegria e o calor da vida. A Serra do Reboredo levanta o seu véu branco!

Torre de Moncorvo


Este Inverno trouxe à Terra Quente Transmontana novas paisagens que acrescentam mais maravilha ao Reino Maravilhoso do Torga!