Incêndio na Grenfell Tower – Londres
Segundo
a BBC, o incêndio na Grenfell Tower em Londres teve início num frigorífico do
interior de um apartamento, possivelmente localizado no 4º piso. A
compartimentação entre pisos, típica neste tipo de edifícios ingleses, deveria
ter contido o incêndio até à chegada da London Fire Brigade, a qual estimou e
cumpriu um prazo de intervenção de 6 minutos após o alarme.
No
entanto, a situação precipitou-se. O fogo do interior do apartamento rapidamente
se alastrou ao revestimento da fachada e daí a todo o edifício. Quando os
bombeiros londrinos chegaram ao local, com a ajuda do vento, já a quase
totalidade do edifício estava em chamas.
Suspeita-se
que a rápida propagação do fogo se deveu ao grau de inflamabilidade do
revestimento da fachada. Este edifício de apartamentos de habitação social, construído
em 1974, tinha sido alvo de uma recente remodelação. As obras custaram cerca de
10 milhões de euros. Com a finalidade de aumentar a eficiência energética do
imóvel e de tornar o edifício esteticamente mais apelativo, a opção para o
revestimento das fachadas recaiu sobre um compósito de alumínio cujo núcleo é o
polietileno (basicamente, um plástico). A opção por um revestimento com as necessárias
caraterísticas de reação ao fogo teria custado mais 3 euros por cada metro
quadrado de fachada. No valor total da obra, a diferença seria equivalente a
seis mil euros (numa obra com o valor final de 10 milhões de euros este aumento
teria sido insignificante).
Este
material, comercializado pela norte-americana Harley Facades (Reynobond), é a
versão mais barata das suas três versões. Segundo o Times, a aplicação desta
versão está banida nos EUA para este tipo de edifícios. As normas europeias aplicadas
também em Portugal, exigem que a reação ao fogo destes materiais seja atestada
através de ensaios laboratoriais após os quais deve ser emitido por um
organismo com competência reconhecida, um relatório de classificação.
Com
base nas estatísticas, em Portugal morrem 60 pessoas por ano vítimas de
incêndio urbanos (só em Lisboa deflagram diariamente seis incêndios). É importante
adicionar este número de óbitos, dos quais ninguém fala, aos ocorridos
tragicamente em Pedrogão Grande para percebermos que todas estas mortes
poderiam ser evitadas com uma eficaz prevenção e, no nosso caso que lidamos com
incêndios em edifícios, com a execução de projetos e planos de prevenção e emergência
eficazmente estruturados. Esta responsabilidade é nossa… e não é pouca!
Sem comentários:
Enviar um comentário